Ex-secretário de MT que confessou ter recebido propina deve doar 780 kg de carne por ano para não ser preso
26/03/2019 07:46 em Novidades

O ex-secretário estadual de Administração na gestão do ex-governador Silval Barbosa, César Zílio, condenado a 10 anos de prisão por fazer parte de um esquema de concessão de benefícios fiscais a empresas em troca de propina, deve doar 780 kg de carne, desossada, a entidades definidas pelo Poder Judiciário. A doação deve acontecer uma vez por ano, sempre no mês de novembro. A decisão é da juíza Ana Cristina Mendes, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Os supostos crimes foram investigados durante a Operação Sodoma, da Polícia Civil.

Zílio, que confessou ter pego R$ 1,035 milhão em propina, firmou termo de colaboração premiada e se comprometeu a devolver o dinheiro aos cofres públicos.

O valor deveria ser pago em parcelas de R$ 270 mil, mas o pagamento estava em atraso e, por isso, houve a necessidade de novo parcelamento.

Conforme o Ministério Público Estadual (MPE), Zílio pagou três parcelas de R$ 270 mil, totalizando R$ 810 mil.

A quarta parcela de R$ 270 mil foi dividida pela juíza em três novas parcelas de R$ 90 mil, sendo a primeira já vencida em dezembro de 2018 e outras duas em abril e em agosto deste ano.

César Zílio foi preso durante a segunda fase da Operação Sodoma e solto 15 dias depois. As investigações apontaram que ele seria o responsável por lavar parte do dinheiro conseguido com cobrança de propina no esquema de fraudes fiscais em Mato Grosso.

O MPE acusa o ex-secretário de lavagem de dinheiro por meio da compra de um terreno de 30 mil metros quadrados por cerca de R$ 13 milhões na Avenida Beira Rio, em Cuiabá.

Em junho, a então juíza Selma Arruda, hoje senadora, homologou parcialmente os acordos de colaboração premiada do ex-secretário.

Por meio da delação, César Zilio, que é advogado, se comprometeu a devolver o terreno da Avenida Beira Rio, avaliado atualmente em R$ 15 milhões, e aproximadamente R$ 1,3 milhão em espécie.

A primeira fase da operação Sodoma foi deflagrada em setembro de 2015, e levou à prisão o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) - apontado pelo MPE como o líder do esquema - e os ex-secretários de Fazenda e de Indústria e Comércio, Pedro Nadaf. A concessão de benefícios fiscais era por meio do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic).

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